Mercado

Número de investidoras na bolsa ultrapassou os 500 mil pela 1ª vez

Fonte - Valor Investe
11/05/2020 15:13
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Nos primeiros quatro meses do ano, o número de mulheres na B3 saltou 46%, crescimento maior do que o dos homens. Definitivamente, algo a ser comemorado

A pandemia nos distraiu e deixamos de comemorar um importante feito: já são mais de 500 mil mulheres com conta aberta na B3, bolsa de valores brasileira.

O feito foi atingido entre fevereiro e março, quando abandonávamos um livre e divertido Carnaval e nos trancávamos em casa para evitar uma propagação exponencial do novo coronavírus.

 

Em 28 de fevereiro, os dados da B3 mostram que éramos em 466.984 investidoras. No fim de março, o número saltou para 532.389. Isso significa uma alta de 14%. Em abril, novo recorde: o total de mulheres é de 568.628, avanço de 46% em relação ao fim de 2019, quando, no fim de dezembro, batemos 388.497 de mulheres na B3.

Em cinco anos (de 2015 a 2019), quase triplicou a presença feminina na bolsa, ao saltar de 138 mil em dezembro de 2014 para 388 mil no fim do ano passado. Este ano, promete ser outro momento histórico.

Não foram, contudo, só as mulheres que procuraram ativos negociados na bolsa nos últimos meses, o crescimento de pessoas física no mercado de capitais foi um movimento generalizado: nos últimos dois meses, a B3 ganhou impressionantes 440 mil novos clientes, de ambos os sexos.

Os homens continuam sendo a grande maioria: respondem por pouco mais de 75% do total de pessoas físicas, o que deixa as mulheres com um quarto. Mesmo assim, elas não só não perderam participação, como também avançaram um tiquinho: no fim de 2019, representavam 23,11%; em abril deste ano, são 23,56%. Na prática, isso significa que o ritmo de abertura de contas do sexo feminino foi, todos os quatro meses de 2020, maior que o de sexo masculino.

Mais jovens entraram; as mais velhas perderam mais

Quando entramos no detalhe por idade, há algumas observações interessantes nos dados que a B3 acabou de divulgar. Primeiro, o número de jovens de 16 a 25 anos com contas abertas passou de pouco mais de 30 mil para pouco mais de 50 mil entre janeiro e abril de 2020. Apesar de não ter sido o grupo etário que mais se destacou em número de contas abertas, o crescimento, de 60% nesses meses, foi impressionante.

 

Quem mais se cadastrou na B3 para começar a investir, porém, foram as mulheres de 26 a 35 anos. Elas também formam o maior grupo de investidoras desse mercado, com 178 mil pessoas.

Juntas, as duas faixas, que abrangem mulheres de 16 a 35 anos, garantiram os aportes no pós-Carnaval - foram as únicas que não tiveram queda no volume total de dinheiro aplicado em ativos negociados na bolsa em março e abril, período mais turbulento do mercado.

Por outro lado, quem mais viu seu patrimônio minguar nos últimos dois meses foi a faixa de mulheres acima de 66 anos, que hoje são as que detém o maior volume de dinheiro investido na bolsa. É provável que a perda de 26% de saldo total em março e abril seja reflexo da própria queda do preço dos ativos. Afinal, passamos por seis circuit breakers e muita volatilidade. Uma parte, claro, também pode ser resgate mesmo.

Diferenças até na bolsa

 

Os homens não são apenas a maior em número de investidores na bolsa, são também os que detém o maior valor investido por pessoa. Enquanto um homem tem aplicado, em média, R$ 123 mil, a mulher tem 12% a menos (R$ 109 mil).

 

A coisa piora – fica mais evidente – quando olhamos as mais jovens e as mais velhas. Uma investidora de 16 a 25 anos tem em média R$ 43 mil na B3, enquanto um investidor desta idade tem R$ 297 mil (quase 600% a mais). Na faixa de mais de 66 anos, elas têm R$ 459 mil e eles, R$ 645 mil, uma diferença de 41%. Na de 56 a 66 anos, ainda pior: a diferença chega a 46%.

 

Ponto de virada

Em 2019 e 2020, as mulheres fincaram o pé na bolsa, ainda que tenham sido acompanhadas dos homens no movimento. O fato de todos terem acesso a uma abundância de informações sobre finanças – foi ano passado que lançamos o Valor Investe -, não foi só isso que incentivou mais gente a investir em renda variável. O apetite de investidores foi atiçado primeiro pela baixa taxa de juros, que deixou com poucas alternativas de investimentos rentáveis. Quem não ouviu - e repetidas vezes – “se quiser ganhar mais, tem que tomar mais risco”? Foi praticamente um mantra de especialistas, blogueiras(os) e imprensa. E muitas mulheres escutaram.

Em 2019 a Selic, taxa básica de juros, se firmou em um dígito, terminando o ano em 5% ao ano e, agora, a partir de 7 de maio de 2020, chegou ao menor patamar histórico de 3% ao ano.

Não dá para negar que, sem dúvida o estouro dos influenciadores de finanças ajudou. Para onde se olhava havia alguém falando para tirarmos o dinheiro da poupança, aplicarmos em produtos financeiros mais rentáveis e planejarmos definitivamente a nossa aposentadoria ou independência financeira.

As finanças caíram na graça do povo – que bom! Vale aqui destacar que muitas mulheres estavam (e continuam) à frente de canais de Youtube, blogs e perfis no Instagram com milhares e milhões de seguidores, participando em eventos de corretoras e casas de análise e trazendo experiências pessoais e ensinamentos. Posso citar alguns: Nathalia Arcuri (Me Poupe!), Carol Sandler (Finanças Femininas), Mirna Borges (Economirna), Ana Laura Magalhães (Explica Ana), Betina Roxo (XP) e por aí vai...

No fim, tudo ajuda e o importante é que as mulheres saibam que podem conquistar esses espaços. Não digo que devem porque investimento é algo pessoal e, sem dúvida, é preciso entender o perfil de cada um antes de aplicar, especialmente em renda variável.

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