Indicadores

FMI: Recessão está perto do fim, mas crise política é risco

Fonte - G1 Globo
14/07/2017 15:25

O fundo melhorou levemente sua projeção de crescimento para o PIB de 2017, de 0,2% para 0,3%; para 2018, no entanto, estimativa foi reduzida de 1,7% para 1,3%

A profunda recessão econômica no Brasil parece estar perto do fim. A avaliação é do Fundo Monetário Internacional (FMI), que divulgou nesta quinta-feira (13) um relatório sobre a economia do País.

No entanto, o fundo ressalva que a crise política agravou a recessão causada por desequilíbrios macroeconômicos. “Enquanto o fim da recessão parece estar à vista, um aumento recente da incerteza política lançou uma sombra sobre as perspectivas”.

O FMI também melhorou levemente sua projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, de 0,2% para 0,3%. Para 2018, no entanto, o Fundo piorou suas expectativas em relação ao Brasil - de um crescimento esperado de 1,7% para 1,3%. O Fundo ressalva que fez as projeções considerando que a reforma da Previdência será aprovada.

As estimativas do FMI são piores do que a previsão do governo brasileiro, que prevê elevação de 0,5% do PIB em 2017 e 2,5% em 2018.

O consumo das famílias, segundo o FMI, só deve ser retomado em 2018. A previsão para este ano é de queda de 0,2% e, para o ano seguinte, de alta de 0,4%. “O consumo também sofreu uma grande contração, em meio a uma grave deterioração nas condições do mercado de trabalho, queda do crescimento da renda real e aperto das condições financeiras. ”

Já os investimentos, que caíram cerca de 30% desde o início de 2014, segundo o FMI, devem crescer 0,8% neste ano e 4% em 2018, de acordo com as projeções do Fundo.

Reformas e a crise política

O FMI aponta que, com apoio do Congresso e do mercado financeiro, o governo de Michel Temer vem apostando em uma agenda de reformas considerada “ambiciosa”, citando a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos gastos, que limita o crescimento dos gastos públicos à inflação do ano anterior, e o avanço das discussões sobre a reforma da Previdência. “Indicadores recentes sugerem que a economia do Brasil está perto de um ponto de inflexão”, diz o Fundo em nota.

No entanto, o FMI aponta que as incertezas em relação à crise política têm aumentado, o que gera dúvidas quanto às perspectivas de recuperação da economia brasileira se soma a outras de bancos, consultorias e agências internacionais de risco que também mudaram suas projeções para a economia após a piora no cenário político, especialmente após as delações da JBS envolvendo o governo de Michel Temer.

Para o FMI, o principal questionamento originado da crise política é a capacidade do governo Temer de aprovar a reforma da Previdência, que, segundo o relatório, é “um passo necessário para a sustentabilidade fiscal do País”. Os resultados fiscais do Brasil, segundo o FMI, têm sido “decepcionantes”, enquanto os índices da dívida pública continuam crescendo.

O fundo aponta que a instabilidade política em meio às investigações de corrupção é a principal “fonte de risco que poderia ameaçar a agenda de reformas e a recuperação”. O FMI acrescenta ainda que, “com as eleições nacionais agendadas para 2018, a janela para a ação do Legislativo está se fechando”.

Apesar do impacto na economia, o FMI destaca que esse efeito das investigações da Lava Jato é compensado pelas melhorias na transparência e governança no País.

Além da crise política, sobre os fatores externos que poderiam influenciar a economia do Brasil, o FMI cita os aumentos nas taxas de juros em outros países e, “com menor probabilidade”, uma desaceleração chinesa.

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