Institucional

Introdução ao Pensamento Econômico Austríaco

Fonte - Acieg Jovem
17/08/17 16:27
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Autora: Vanessa Rodrigues é diretora-secretária da Acieg Jovem

Quando pensamos em idade média, naturalmente, a primeira ideia que nos vem à cabeça é de que se trata de um período nebuloso, ou, como tanto ouvimos do nosso professor de história, “idade das trevas”.

Esta visão, herdada pelos iluministas, não poderia ser mais equivocada, visto que devemos e muito a esse período histórico, inclusive no que se trata de economia. Foi durante esse período que o que hoje conhecemos como escola austríaca de economia começou a dar seus primeiros passos.

O que é escola austríaca de pensamento econômico?

Trata-se de uma escola de pensamento econômico que defende os princípios do livre comércio, ordens espontâneas, liberdade de preço, contratos voluntários, propriedade privada, individualismo, interdisciplinaridade entre ética, política e economia, subjetivismo e ação humana. O nome deriva da nacionalidade de seus fundadores e principais adeptos iniciais, que eram austríacos. 

A história da referida escola começa no século XV, quando seguidores de São Thomás de Aquino, que lecionavam na universidade de Salamanca, na Espanha, começaram a tentar entender como funcionava toda a organização social e a ação humana. Essas pessoas, conhecidas como escolásticos tardios, passaram a entender e explicar algumas leis econômicas, como, por exemplo, a lei de oferta e demanda e as causas da inflação. Também se opunham diretamente a impostos, regulamentações que limitavam a livre iniciativa e controle de preços. O primeiro tratado geral de economia, inclusive, escrito em 1730 por Richard Cantillon, um indivíduo educado na tradição escolástica.

Já em 1871, o fundador da escola austríaca de economia, Carl Menger, professor de economia na universidade de Viena, publicou um livro que trouxe bastante da tradição dos escolásticos da idade média. Além disso, o autor criou a teoria da utilidade marginal e também deu base para todos os austríacos posteriores, inclusive Boem Bawerk, que era seguidor de Menger na universidade. Em sua obra “a teoria positiva do capital”, Boehm Bawerk explica que os chamados “capitalistas” poupam o seu dinheiro, pagam os trabalhadores e só lucram depois que o produto final é vendido. Ele foi o autor que mais refutou os marxistas a respeito da teoria de exploração do capital, tudo isso muito antes da revolução comunista na Rússia, em 1917. 

Na primeira década do século XX, outro austríaco e hoje o mais famoso de todos os representantes da escola, Ludwig Von Mises, explicou como a teoria da utilidade marginal de Menger aplica-se ao dinheiro, e também criou a famosa teoria austríaca dos ciclos econômicos. Mises também dedicou-se a estudar o socialismo e a provar, de forma irrefutável até hoje, o porquê do referido sistema ser impraticável na vida real.

De acordo com Mises, o socialismo não permite a propriedade privada e troca de bens, logo, não permite que os recursos encontrem seu uso de maior valor, assim, gerando miséria, caos e destruição da sociedade. O autor desafiou socialistas a provarem, em termos econômicos, como o sistema que defendem poderia funcionar. Os socialistas fugiram do debate na época e continuam fugindo até os dias de hoje.

Um conjunto de seis palestras que Mises proferiu na Argentina, em 1959, foram transformadas em um livro, que hoje até hoje é considerado um dos clássicos da introdução à economia austríaca, o livro “as seis lições”. A leitura é curta, já cada palestra transformou-se em um capítulo, e o autor consegue de forma sucinta e agradável leitura, desmitificar alguns dos principais tópicos em economia. A obra prima do autor é o livro “ação humana”, que até os dias de hoje é considerado o tratado econômico mais importante da escola.

Juntamente com seu aluno, Friederich Von Hayek, Mises publicou diversos ensaios alertando a respeito da expansão de crédito e em conjunto, professor e aluno previram várias crises. Hayek, posteriormente, tornou-se o maior adversário econômico de Keynes, autor da teoria keynesiana, e também ganhou prêmio nobel de economia em 1974 pelo seu trabalho. Outro aluno de Mises, Murray Rothbard, foi quem firmou a escola austríaca nos Estados Unidos e também usou a teoria dos ciclos econômicos para provar que a quebra da bolsa de valores, em 1929, foi fruto direto da expansão desenfreada de crédito. Rothbard também escreveu a respeito dos malefícios da intervenção estatal na economia. 

Salienta-se que a maior parte dos autores austríacos citados neste artigo não foi bem vista na academia durante o período em que estiveram na ativa, mas, esse quadro está mudando nos últimos anos. A teoria a escola austríaca de economia vem tornando-se cada vez mais conhecida e ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo, inclusive no Brasil. 

Através da escola austríaca, podemos provar, por exemplo, que os empreendedores não são exploradores capitalistas cujo único objetivo é explorar os trabalhadores e roubar sua mais valia, mas, pessoas que visam obter seu sucesso e seu lucro transformando a sociedade em algo cada vez melhor. Os austríacos também nos provam os malefícios que todas as intervenções estatais, como impostos e demais burocracias causam na vida dos empreendedores, assim como também mostram que fenômenos como a inflação e crise econômicas são causados diretamente pela interferência do governo.

A escola austríaca, apesar de sua longa história e avançada idade, continua sendo de suma importância e estudá-la é fundamental para entendermos economia.

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