Economia

Um papo sobre a economia goiana

Fonte - Imprensa Acieg
21/03/17 10:18
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2017 será um ano de recuperação, afirma especialista

Quando o Brasil vai sair da crise? Quais setores não sentiram a recessão? Essas e outras perguntas permeiam a cabeça de todos, principalmente empresários que lidam com indicadores todos os dias e dependem da melhora da economia.

Para saber mais sobre o assunto, conversamos com o especialista em Empreendedorismo e Finanças, Cidinaldo Boschini, sócio fundador da 2C Turnaround Consulting, empresa que atua na área de recuperação de empresas há mais de uma década.

Ao seu ver, quais setores da economia goiana vão sair primeiro da crise?

Alguns setores se destacaram nesse período, principalmente o agronegócio. Ano passado enfrentou uma crise, mas foi em virtude do estado climático instável. Não foi  tanto por causa da crise econômica. Este ano o clima já colaborou, então vai ser uma supersafra com margem bem interessante. O agronegócio é, sem dúvida, o motor da economia goiana.

Outro setor que veio bem é o de remédios, principalmente as indústrias do polo de Anápolis. A Supermarcas focou muito na farmoquímica, passou bem este período e deve tomar um impulso grande agora pra frente.

Esses dois setores vieram  bem capitalizados. A maioria das empresas está com um balanço bem fortalecido. E estão preparadas para o crescimento.

Agora um setor que sofreu muito, mas que vejo que vai melhorar é o varejo.  Vem enfrentando uma crise severa, mas com a retomada da economia é o primeiro a melhorar e a sair da crise. Claro que essa retomada vai ser lenta, então os resultados devem ser lentos neste ano, mas  é só no ano que vem que deve ter um impulso maior.

Por que o setor farmoquímico passou ileso à crise?

Por alguns motivos, um deles é que o grande comprador deste setor se chama governo federal. E eles mantiveram o investimento, pois é um bem essencial, as pessoas precisam de remédio.  

No varejo privado, elas estão financeiramente saudáveis também. O setor como um todo não teve uma queda de demanda. E por mais que a economia esteja em dificuldade, a compra dificilmente cai.

Outra área que não sofreu muito foi o de supermercados. Bens de consumo essencial, de primeira necessidade, sofrem menos com a crise. Diferente dos varejistas de vestuário e eletroeletrônico que, ao meu ver, só vão se recuperar ano que vem.

Qual o potencial destes setores para girar novos negócios? E empregos?

O potencial do setor farmoquímico são empregos de alta qualificação. Então são vagas de salário médio/alto, porém com menos pessoas preparadas para ocupa-los e é muito concentrado em Anápolis.  Já o setor agrícola gera muitos empregos que se disseminam no Estado como um todo e é muito maior.

E para o varejo eu não acredito que esse ano abram muitas oportunidades. Ano que vem sim.

E na outra ponta, quais setores estão mais complicados e com menos potencial agora? Como vê que vão melhorar?

Principalmente a construção civil, que além da queda na venda, vem ocorrendo muitos distratos nos contratos. A grande maioria das obras dos últimos três anos, não está sendo entregue no período certo e há muitos casos de ressarcimentos.

E o varejo como um todo, com foco no vestuário, eletroeletrônicos e automóveis. Essas áreas só vão ter uma melhora quando gerar mais emprego e renda para a população. E isso é demorado, é uma perspectiva. Depende também de crédito, então eles serão ainda muito afetados.

Na sua opinião, quando a economia vai começara registrar números no azul? E quando deve acelerar com mais força?

Número melhores só a partir do ano que vem. 2017 deve ter um crescimento pequeno, na casa do meio por cento anual. E ano que vem talvez conseguimos entre 2% e 2,5%.

Depende, neste momento, de quais fatores?

Depende das reformas que estão sendo discutidas, como a previdenciária e a tributária. A maioria das empresas estão alavancadas, sem poder fazer investimento, com uma percentagem de capacidade instalada (o quanto pode ser produzido pelas indústrias) muito baixa.

Comparando janeiro com dezembro e descontando-se a sazonalidade – as diferenças normais entre meses diferentes do ano  ̶ o tráfego de veículos leves nas rodovias cresceu 1,6%, indicando que as pessoas estão viajando mais; as vendas nos supermercados cresceram 1%, mostrando recuperação no consumo; as vendas de papelão ondulado, que indicam a demanda por embalagens e a expectativa de vendas da indústria, cresceram 1,8%; as importações de bens intermediários, que também indicam as expectativas da indústria, cresceram 1%; a produção de motos cresceu 9,1%.

Na comparação com janeiro de 2016, a produção da indústria cresceu 1,4%, a primeira alta em três anos, e os investimentos de empresas estrangeiras no País foram os maiores da história, sinalizando que os gringos estão mais confiantes do que nós com nosso País.

 A recuperação parece ter continuado em fevereiro. Na comparação com janeiro, descontando a sazonalidade, o emplacamento de veículos comerciais leves cresceu 11,6% e a confiança do consumidor cresceu 2,5%. Consumidores mais confiantes gastam mais, alavancando as vendas das empresas. Vendendo mais, as empresas acabam contratando mais trabalhadores, aumentando a renda da população e o próprio consumo, em um círculo virtuoso.

Estes dados são insuficientes para sermos taxativos sobre a tendência futura da economia, mas há ótimas razões ̶  começando pela queda dos juros e a perspectiva de aumento do crédito e, por tabela, do consumo e investimento ̶  para crer que a recuperação tem tudo para se sustentar, salvo uma séria crise externa ou um agravamento da crise política que impeça o avanço no Congresso das reformas da Previdência, Trabalhista e Tributária.

 

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