Mercado

68% dos empresários que resistem à crise dizem não ter ajuda do governo

Fonte - Valor Investe
16/07/2020 17:20
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De acordo com levantamento do IBGE, pequenas empresas seriam as menos favorecidas por auxílios federais

Quase sete de cada dez empresas que adotaram alguma medida para reagir à crise econômica imposta pela covid-19, julgam não ter recebido nenhuma ajuda do governo federal, informou a nova pesquisa Pulso Empresa, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em termos absolutos, 2,67 milhões das 2,74 milhões de empresas que seguem abertas no país adotaram alguma medida alternativa na crise. Destas, 889 mil (32,3%) teriam sido apoiadas pelo Estado, enquanto 1,8 milhão (67,7%) dizem ter agido de forma totalmente independente.

Com relação ao tamanho do negócio, as menos ajudadas teriam sido as empresas pequenas, com até 49 funcionários. Dessas, só 31,9% teria recebido apoio governamental.

O percentual de ajuda é bem mais alto entre empresas médias (57,1%) e grandes (55,1%). O IBGE considerou empresas médias aquelas que têm entre 50 e 499 funcionários e grandes aquelas com mais de 500 colaboradores.

Os números vão de encontro ao discurso do governo federal, de que tem auxiliado mais pequenas e micro-empresas.

Coordenador de Pesquisas Econômicas Estruturais e Especiais do IBGE, Alessandro Maia Pinheiro, prega cautela com relação aos resultados da pesquisa. "São números que medem percepção. O elemento mais objetivo é o crédito, porque é tangível, mas a maior parte das medidas tem caráter subjetivo", afirma.

O IBGE investigou sete medidas tomadas por empresas, que vão desde simples campanhas de informação e prevenção ao vírus, introdução de trabalho domiciliar e antecipação de férias até o lançamento de novos produtos, serviços ou meios de comercialização. Foram pesquisados, também, o adiamento de impostos e a contratação de crédito para pagamento de folha salarial, alternativas em que há maior espaço para a participação direta do governo federal.

Com relação à postergação de tributos, novamente, as menos ajudadas foram as empresas pequenas: metade (51,3%) interrompeu suas contribuições por meio da intervenção estatal. Esse percentual é bem maior entre empresas médias (73,5%) e grandes (75,2%).

Já para linhas de crédito para pagamento de funcionários, a média nacional foi de 67,7% das empresas ainda abertas ajudadas pelo governo, sendo 67,2% entre os pequenos negócios, 79,6% entre os médios e 44,9% entre os grandes.

Em termos de região, o IBGE destaca o percentual desse crédito subsidiado no sudeste, que chegou a 92% dos casos, bem acima do restante do país, que varia entre 30% no Centro-oeste e 52% no Nordeste e Sul.

Sub-setorialmente, os mais ajudados pelo governo foram empresários do comércio por atacado (52,2%), de serviços prestados às famílias (52,1%) e da indústria em geral (45,1%).

Especificamente na obtenção de crédito para pagamento de pessoal, são esses mesmos setores que se destacam: no comércio por atacado, 99,4% das empresas relataram ajuda do governo e, nos serviços prestados às famílias, 92,6%. O segmento menos ajudado foi o comércio varejista, onde só 45,0% dos empreendimentos que sobreviveram obtiveram crédito com esse fim.

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