Economia

Produzir dinheiro na Casa da Moeda é mais caro que importar

Fonte - Infomoney, A Redação
02/05/17 15:06
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Governo trouxe cem milhões de cédulas de R$ 2 importadas ao Brasil no ano passado

Circulam atualmente no País cem milhões de cédulas de R$ 2 produzidas na Suécia, de acordo com informações do Banco Central. Para importa-las, foi necessário que o órgão desembolsasse R$ 20 milhões como medida emergencial – valor mais baixo que o cobrado normalmente para as mesmas cédulas pela Casa da Moeda, fabricante oficial do dinheiro no País.

Segundo o Banco Central, "o valor efetivamente pago foi de R$ 20.205.024, correspondendo ao custo por milheiro de R$ 202,05. Apenas para eventual comparação esse valor foi cerca de 20% inferior ao pago à Casa da Moeda do Brasil em 2016, de R$ 242,73".

Em contato com a Redação, a Casa da Moeda explicou que seus custos para a produção são mais altos do que os encontrados na empresa sueca Crane por conta da legislação brasileira - e este é apenas um dos motivos para cobrar mais caro.

“A Casa da Moeda, respeitando as leis nacionais, foi obrigada a adquirir as principais matérias primas com até 20% de majoração, para garantir a margem de preferência dos fornecedores nacionais”, disseram representantes.

Além disso, pesa para a empresa a custódia do dinheiro produzido e não retirado pelo Banco Central “utilizando um cofre de segurança máxima, serviço este não oferecido pela concorrente em questão”. A Casa da Moeda conclui ainda "sair na frente e, soberania nacional, na medida em que disponibiliza preferencialmente todo o seu parque de produtos gráficos de segurança para o Banco Central do Brasil".

No dia 13 de abril, o BC fechou os contratos referentes à produção de 2017 com a Casa da Moeda. Com valor de R$ 279,14 milhões, um deles prevê produção de 980 milhões de cédulas – de todos os valores. O segundo contrato, por sua vez, soma R$ 272,5 milhões para a fabricação de 660 milhões de moedas.

Emergência

De acordo com a Lei 13.416, de 23 de fevereiro de 2017, o Banco Central tem autorização para adquirir papel-moeda e moeda metálica fabricados fora do País por fornecedor estrangeiro sem licitação, desde que como medida emergencial.

No caso das cédulas de R$ 2, houve insegurança a respeito da produção da Casa da Moeda para 2016: não se sabia se seria possível produzir toda a moeda necessária e, para evitar problemas, declarou-se o caráter emergencial dessas importações.

Sobre o caso, a Casa da Moeda afirmou que seu Plano Anual de Produção (PAP) de 2016 foi entregue em sua totalidade e que houve inclusive 11 milhões de notas excedentes, então não haveria real necessidade dessa importação. De acordo com porta-voz, a medida foi tomada “por via das dúvidas”. Nos seis anos anteriores a 2016, o PAP não fora cumprido.

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