Empreendedorismo

Conheça quatro investimentos fáceis e de baixo risco

Fonte - Época Negócios
05/05/17 08:43
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Tesouro Direto, CDB, letras de crédito e fundos multimercado: confira como investir em cada um deles

Nos últimos dez anos, só houve dois momentos em que a poupança rendeu mais que a inflação: em 2006 e em 2016, de acordo com levantamento feito pela Economatica. Nos demais, portanto, o consumidor perdeu poder de compra. O dinheiro não rendeu como se esperava e dinheiro que não rende, é dinheiro perdido.

A poupança é o investimento mais popular entre os brasileiros – seja pela comodidade, facilidade de resgate ou isenção de imposto de renda. Sair dessa zona de conforto, com condições de escolher um investimento de melhor retorno e seguro, exige certo conhecimento. "É o que eu digo sempre: se continuar na preguiça, o bolso vai reclamar. Se sair dela, poderá ter rendimentos muito maiores – independentemente do tamanho da aplicação", diz Marco Saravalle, analista da XP Investimentos.

Há opções de investimentos que combinam segurança, baixo risco e que não exigem conhecimento muito técnico. Época Negócios conversou com analistas e indica quatro investimentos a seguir.

Tesouro Direto

Quando se fala de uma alternativa à poupança, os analistas são unânimes: o Tesouro Direto é uma das melhores opções, espécie de porta de entrada para quem deseja começar a investir e não apenas poupar. O Tesouro vem ganhando popularidade nos últimos anos por ter risco baixo e taxas consideráveis de retorno. "O risco é praticamente zero, pois quem está por trás é o governo", diz Marco Saravalle, da XP Investimentos.

Investir no Tesouro Direto é como emprestar dinheiro para o governo. O investidor compra um título público – ou uma fatia dele – com um determinado prazo de vencimento e rentabilidade pré ou pós-fixado. É um investimento sujeito a imposto de renda e à cobrança de algumas taxas. A vantagem é que exige um valor mínimo pequeno para investir: é possível comprar uma parte de um título por R$ 30.

Os títulos disponíveis para o Tesouro Direto oferecem rentabilidade das seguintes formas: pré-fixada, atrelada à variação da inflação ou à variação da taxa de juros básica da economia, a Selic. Qual escolher? A dica dos analistas é definir o objetivo do investimento: quanto o investidor espera ganhar com ele (rentabilidade) e qual o prazo para ter o dinheiro disponível. "Não olhe pelo valor do título. É preciso entender primeiro qual é o seu perfil de investimento – conservador, moderado ou agressivo. Depois, ter em mente quando você vai querer o dinheiro em mãos de volta: você vai precisar dele no curto, médio ou longo prazo?", diz Roberto Indech, analista-chefe da Rico Corretora.

O investimento no curtíssimo prazo, vale dizer, não é indicado. Geralmente, os prazos recomendados são aqueles de títulos com data de vencimento de no mínimo 3 ou 4 anos. No dia 25 de abril, havia títulos disponíveis para a compra no curto prazo (Tesouro Prefixado/2018), médio prazo (Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais/2024) e o com o vencimento mais longo chegava ao ano 2045.

CDB

Se no Tesouro Direto o investidor empresta dinheiro ao governo, no caso do CDB (Certificado de Depósito Bancário) o empréstimo é feito a um banco. "É uma forma do banco captar recursos. Ele pega dinheiro do investidor, empresta para outra pessoa e fica com a diferença", diz Marco Saravalle. Há CDB de curto, médio e longo prazo – cada um com uma rentabilidade e taxa diferente negociada com o gerente do banco ou corretora.

O negócio é feito sempre via banco ou corretora. Seja qual for a instituição escolhida, o risco é baixo por ser um investimento garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para aplicações de até R$ 250 mil por CPF (pessoa física). O FGC é uma associação privada – incluindo os grandes bancos – que tem por objetivo proteger correntistas, poupadores e investidores. Se um banco falir, por exemplo, o FGC deve garantir que o cliente recupere depósitos ou créditos mantidos na instituição.

Na hora de escolher a modalidade de CDB, o investidor terá duas opções iniciais: o pré-fixado ou pós-fixado. No pré-fixado, o investidor sabe exatamente quanto receberá na data de vencimento. Por exemplo: se ele comprar um CDB de cinco anos com taxa pré-fixada de 10% ao ano, vai receber o rendimento de 10% ao ano em cima do valor emprestado. No pós-fixado, o rendimento do CDB fica atrelado ao chamado CDI (Certificado de Depósito Interbancário) – uma taxa que mede o valor médio diário que os bancos emprestam dinheiro entre si e que varia ano a ano. Para o rendimento valer a pena, a indicação é escolher um CDI de rendimento acima de 85%. quanto mais próximo de 100%, melhor. Assim, mesmo com o pagamento de impostos, o CDB irá remunerar melhor que a poupança.

Há CDBs com o mesmo prazo, mas com particularidades diferentes. "Há alguns CDBs com prazo de investimento de cinco anos e você pode retirar o dinheiro a qualquer dia, mas há outros em que o período de carência é de dois ou três anos, portanto, você só pode sacar o dinheiro depois desse prazo", avisa o consultor Samy Dana. E caso reste alguma dúvida, ele completa: "Geralmente, esses últimos pagam melhor". No CDB, é bom lembrar, também funciona a lógica do "quanto mais dinheiro o investidor emprestar ao banco, mais os bancos pagarão".

Uma boa dica para o investidor é olhar além do horizonte dos grandes bancos e corretoras, mirando os pequenos e médios bancos. "Há boas opções de bancos que, muitas vezes, nós nem ouvimos falar no dia a dia, mas que remuneram muito melhor. É possível conseguir CDBs com 110% ou até 115% de CDI", diz Marco Saravalle. O risco, neste caso, é o mesmo do CDB de um banco grande, já que os médios e pequenos também contam com cobertura do FGC. O que muda é que o investidor precisará abrir uma conta no banco em questão ou buscar uma corretora para fazer a intermediação, antes de investir o dinheiro.

Fundos multimercados

Uma das categorias de fundos que vem entregando bons resultados neste ano, segundo Marco Saravalle, é a de multimercados. Ao contrário dos fundos de renda fixa, os fundos multimercados podem realizar diversas operações com o dinheiro do investidor: compra de ações, títulos públicos, moedas, derivativos e investimentos no exterior. O objetivo deles é superar o CDI, tendo uma rentabilidade melhor. Mas o risco aqui é mais alto que investir em um CDB ou Tesouro Direto.

Na hora de investir, é preciso olhar a taxa de administração cobrada pelo banco ou corretora. "Não pode ser muito alta, 2% talvez seja o limite", aconselha Saravalle. Antes de decidir pelo fundo, é preciso mais uma vez pensar no objetivo do investimento. O investidor deve ter claro quanto quer investir e quando deseja ter o dinheiro de volta, para analisar qual fundo tem a melhor estratégia no curto, médio e longo prazo. Nesta conta, é importante incluir no cálculo o imposto de renda, que é cobrado de forma progressiva e cai drasticamente após um ano de aplicação - tornando os fundos de médio e longo prazo mais interessantes.

LCI e LCA

As chamadas letras de crédito são também investimentos de risco baixo por serem garantidos pelo FGC – no mesmo limite de R$ 250 mil por CPF (pessoa física). São também uma forma de emprestar dinheiro ao banco que, por sua vez, irá financiar crédito imobiliário (LCI - Letra de Crédito Imobiliário) ou agricultura (LCA - Letra de Crédito Agrícola). Geralmente, tanto a LCI quanto a LCA têm carência de seis meses ou um ano. Qual escolher? "Para o investidor não muda nada se é LCI ou LCA. É o banco que irá direcionar o investimento para crédito imobiliário ou agrícola. O que o investidor precisa considerar é a mesma relação de fatores: prazo, montante a ser investido e a taxa a ser paga ao banco", afirma Samy Dana.

Nos últimos anos, essas letras de crédito ganharam destaque por serem investimentos isentos de imposto de renda, assim como a poupança. Mas isso não quer dizer que são necessariamente opções de renda fixa mais vantajosas que um CDB, por exemplo. É preciso fazer comparações.

Samy Dana dá um exemplo: considere que você vai aplicar seu dinheiro em uma LCI com rendimento de 85% do CDI. Em outro cenário, aplique a mesma quantia em um CDB que pague 100% do CDI. Se o tempo de aplicação nos dois casos for de dois anos, o CDB tende a ser mais vantajoso que a LCI – mesmo sem ter isenção de Imposto de Renda. Isso acontece porque o IR cobrado no CDB é regressivo – a partir de 720 dias, a alíquota fica estável em 15%. Como o imposto é cobrado apenas no resgate, durante o período de aplicação o CDB se torna mais vantajoso se o dinheiro permanecer investido por mais de 720 dias. Ou seja, o ganho sobre o dinheiro investido ao longo do tempo é exponencial.

Para quantias investidas por menos de 720 dias, a isenção de IR das letras de crédito conta como boa vantagem, tendo em vista que o rendimento é praticamente o mesmo do CDB.

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