Economia

Novo aeroporto completa um ano com baixo fluxo de voos

Fonte - O Popular
09/05/17 09:42
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Em meio ao conforto e até mesmo à calmaria descrita pelos usuários, a falta de opção de horários e destinos ganha destaque entre as queixas

Nesta segunda-feira (08) faz um ano que o novo terminal do Aeroporto Santa Genoveva foi inaugurado. Os grandes números prometidos com ele ainda estampam a parede, como a capacidade para receber 6,5 milhões de passageiros em 12 meses.

Logo embaixo, guichês na maior parte do tempo vazios revelam cenário diferente do anúncio. Embarques e desembarques somaram 3 milhões em 2016 (46% do limite) e, neste ano, a movimentação de janeiro a março caiu 13,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Infraero.

O fluxo de passageiros só não é pior do que o registrado em 2012 e caberia com sobra dentro do que seria a capacidade do terminal antigo (3,5 milhões de pessoas por ano). Com relação aos voos, as opções também reduziram. Somente nos três primeiros meses de 2017, foram 4,2% menos pousos e decolagens do que no ano passado. A crise econômica é a principal justificativa para esse cenário de “encolhimento” que ocorre desde 2014 e que não é exclusividade do aeroporto da capital goiana.

Em meio ao conforto e até mesmo à calmaria descrita pelos usuários, a falta de opção de horários e destinos ganha destaque entre as queixas. “Fizeram novo acesso e melhorias. Se chover e não entrar água, é porque funciona. Mas esse é um assunto complexo, porque ficou melhor, mas a malha ainda é muito ruim”, destaca a administradora Cristina Guimarães, que toda semana viaja a trabalho e tem de enfrentar escalas para chegar ao Rio de Janeiro (RJ). “Só sai direto para São Paulo (SP) na maioria das vezes”, pontua.

Já entre os que chegam, o analista administrativo Tiago Silva dos Santos, carioca, vem frequentemente à Goiânia e também relata dificuldade com as longas esperas em outros aeroportos até desembarcar em solo goiano. “Tem cinco anos que sempre venho e acho que deveria mesmo ter melhorado, só que parece que o terminal ficou grande demais pelo volume de pessoas”, diz ao lembrar que para ele a praça de alimentação é a principal transformação. Na tarde da última quinta-feira (4), ele fazia parte de pequeno grupo que usufruía do local em meio a dezenas de mesas vagas.

Oferta e demanda

Sobre a oferta de voos, a Infraero informou que em maio de 2016 havia uma média de 42 partidas e 42 chegadas diárias. E, atualmente, são 40 partidas e 40 chegadas. Porém, ressalta que o “Aeroporto de Goiânia tem dez posições no pátio do novo terminal para atender a aviação comercial, sendo possível atender, nesta infraestrutura, até 14,4 mil voos por mês”. Os voos diretos ocorrem para 19 aeroportos no Brasil. E explica que podem ocorrer mudanças, “desde que haja interesse das empresas aéreas e autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ”.

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), mesmo que tenha melhorado a infraestrutura, as mudanças não aparecem em um ano e as ofertas fazem parte de estratégia comercial das companhias que ainda enfrentam momento de recessão. A aviação doméstica em março teve a primeira reação em 20 meses. A demanda teve alta de 5,9%, conforme a associação. Eles informam ainda que o crescimento rápido de outros terminais, como o de Brasília, que foi reinaugurado em 2014, foi amparado por cenário diferente com Copa do Mundo e Olimpíada no horizonte.

Por outro lado, conforme dados do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, o Aeroporto Internacional de Brasília, depois de crescer, também enfrentou no ano passado redução de 9,31% na movimentação. O advogado e consultor em Aviação Civil, Georges de Moura Ferreira, analisa que além da retração vivida nos últimos dois anos, o Santa Genoveva enfrenta ainda outra dificuldade, está muito próximo ao Distrito Federal.

“Brasília é um hub, muitas empresas iniciam as operações por lá e Goiânia é importante como alternativa, serve de suporte para os voos que saem de lá.” O aeroporto de Brasília é o terceiro mais movimentado do País, perde só de Guarulhos e Congonhas, ambos em São Paulo.

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