Economia

Tesouro Direto volta a ser atraente com nova aposta para Selic

Fonte - Época Negócios
30/05/17 08:53
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Expectativa de corte menor esta semana eleva juros em títulos prefixados

Um dos efeitos da crise política sobre a economia foi o clima de incerteza que passou a pairar sobre o processo de redução dos juros por parte do Banco Central (BC).

As dúvidas sobre os rumos das reformas econômicas, que são importantes para garantir o crescimento futuro do país, podem fazer com que a redução da taxa básica de juros — a Selic, atualmente em 11,25% ao ano — se dê de forma mais lenta.

Isso certamente é ruim para quem precisa tomar dinheiro emprestado para adquirir algum bem, mas pode ser uma oportunidade para quem quer investir. Esse efeito pode ser observado em títulos de renda fixa, cujas taxas subiram depois da revelação, pelo jornal O Globo, da delação do dono da JBS, Joesley Batista, no último dia 17. Os títulos do Tesouro Direto, então, aparecem como uma opção segura, dizem analistas.

O processo de queda de juros teve início em outubro do ano passado e, até meados deste mês, a expectativa era que a Selic chegasse em dezembro a 8,5% ao ano, de acordo com a média das projeções dos economistas consultados pelo BC. Havia até mesmo aqueles que projetavam a taxa em torno de 7%.

Esse cenário, no entanto, sofreu uma reviravolta. Agora, a trajetória de queda dos juros já não está tão clara, e a aposta de que o BC poderia reduzir a Selic esta semana em até 1,25 ponto percentual caiu por terra — o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia sua decisão sobre os juros na próxima quarta-feira. A maior parte das projeções passou a apontar um corte de um ponto percentual. A diferença parece pequena, mas abriu espaço para ganhos maiores para quem investe nesses títulos.

"O título público federal é o mais indicado para este momento, porque é difícil encontrar outra alternativa segura. Em renda fixa, o crédito privado (títulos emitidos por empresas ou bancos) até paga mais, porém a incerteza na política pode levar o país a crescer menos, e aí aumenta o risco de crédito dessas empresas emissoras, já que elas tendem a vender menos também", explica Ricardo Almeida, professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Os títulos públicos são, em tese, o investimento mais seguro que há porque são garantidos pelo governo federal. Para comprar esses papéis, é preciso ter cadastro em uma corretora que atue com o Tesouro Direto, que é uma plataforma desenvolvida pelo Tesouro Nacional para investidores de menor porte. Nesse sistema, estão disponíveis títulos que são corrigidos pela Selic, ou seja, eles vão render mais ou menos de acordo com a variação dessa taxa.

Outra opção são os prefixados, que pagam uma taxa determinada, de modo que quem compra sabe antecipadamente o quanto irá resgatar lá na frente. E há ainda o Tesouro IPCA, que paga um juro mais a correção pelo índice de inflação. "Os títulos de prazo mais curto começaram a ficar com ganhos mais interessantes, porque se espera que o BC não corte tanto os juros na reunião desta semana", argumenta Almeida.

Juro mais alto após a crise

Na última sexta-feira, um título prefixado com vencimento em 2023 pagava 10,84% ao ano. Antes da divulgação da delação premiada de Joesley, que afirmou ter pago propina a mais de 1.800 políticos, entre os quais o presidente Michel Temer, a taxa era de 9,91%.

Essa diferença mostra que os investidores passaram a acreditar em uma redução mais lenta da Selic e, por isso, começaram a exigir um retorno maior. No caso dos títulos atrelados à inflação com vencimento em 2024, no mesmo período a taxa passou de IPCA mais 4,49% para IPCA mais 5,49% — um salto de um ponto percentual.

Essa evolução das taxas também ocorreu nos demais títulos disponíveis no Tesouro Direto. Cada vencimento paga um juro diferente. Mauro Mattes, gerente de investimentos da Concórdia Corretora, explica que não há dúvida de que os juros vão continuar caindo, já que a inflação está em patamares baixos e, devido à recessão, não há demanda para levar os preços para cima. No entanto, o processo será mais lento do que o esperado há até duas semanas. O centro da meta de inflação é de 4,5% ao ano, mas o IPCA pode encerrar 2017 abaixo disso — em abril, o indicador registrou 4,08% em 12 meses.

"A renda fixa continua, então, sendo atraente. Para quem é mais conservador, o melhor é deixar nos títulos atrelados à Selic. Para quem já tem um pouco mais de recursos e pode variar, é possível fazer um mix entre os pós-fixados, os prefixados e aqueles corrigidos pela inflação", explica Mattes.

Ou seja, se a poupança está na fase inicial, o melhor é deixar em algo com o menor risco possível, que seriam os títulos que acompanham a Selic. Quando a reserva já é suficiente para arcar com eventuais emergências, aí sim o investidor já pode começar a pensar em uma diversificação dentro do próprio Tesouro Direto.

Perfil conservador ou moderado

Para esse grupo que quer diversificar, Mattes aconselha deixar 10% nos títulos que seguem a Selic, ficando como um recurso para ser usado em emergências. Uma parcela de 40% pode ficar nos títulos prefixados, e a outra metade, nos corrigidos pela inflação. Mas um alerta: é importante comprar títulos com prazos compatíveis com seus objetivos — comprar um carro, dar de entrada em um financiamento imobiliário daqui a alguns anos ou a aposentadoria. É que resgatar esses títulos antes, embora possível, pode causar algumas perdas. Se daqui a um ano os papéis prefixados do Tesouro estiverem pagando 6% ao ano, por exemplo, será por essa taxa que o investidor terá de vender o título.

Para quem já tem aplicações, Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners, aconselha que o melhor é ficar onde está: "Para o pequeno investidor o melhor é ficar na renda fixa, mantendo uma parte nos pós-fixados".

Essa parcela é a que pode ser realocada mais rapidamente caso o cenário sofra uma nova reviravolta, ressalta Velho. Já no caso dos títulos prefixados e atrelados à inflação, desfazer-se deles antes do vencimento é sempre um risco. "Quem vendeu logo que a crise política começou pode ter perdido dinheiro", diz Velho.

No dia 18, o primeiro dia de negócios após a revelação das denúncias de Joesley, os mercados tiveram um pregão de forte estresse, com os juros subindo fortemente e — já o Ibovespa teve a maior queda desde 2008.

Fonte - Época Negócios
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