Empreendedorismo

Os desafios da mulher no mercado de trabalho

Fonte - Administradores
08/02/17 11:00
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Falar em mulheres na liderança parece um estágio ainda distante na trajetória de desafios a serem superados. Mas não é

Ao longo dos últimos séculos, o mundo mudou. E continua mudando. O perfil das organizações, consequentemente, também tem se transformado. Mas ainda existem muitos desafios a serem enfrentados e um dos mais importantes é, sem dúvidas, quebrar as barreiras que ainda dificultam a chegada de mulheres aos postos de liderança.

Um relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial mostra que, mantido o ritmo atual, somente em 2095 vamos conseguir atingir globalmente um nível de paridade justo em termos econômicos e de oportunidades entre homens e mulheres. No Brasil, a questão é ainda mais complexa, pois ocupamos apenas a 124º posição no ranking da organização em igualdade de salários, realizado entre 142 países.

Em um contexto como esse, falar em mulheres na liderança parece um estágio ainda distante na trajetória de desafios a serem superados. Mas não é. E, conforme ressalta Camila Cruz Durlacher, diretora de pesquisa e desenvolvimento e líder do Fórum de Liderança Feminina da 3M do Brasil, o primeiro passo, antes de atuarmos pelas igualdades, é compreendermos as diferenças.

“Homens e mulheres não são iguais e aportam diferentes experiências para o ambiente de trabalho. O que buscamos é ter diversidade de pensamento, cultura, experiência e tudo mais. Trazendo essa diversidade para o trabalho, não só vamos ter essas diferenças de pensamento, mas passamos a espelhar realidade dos nossos mercados e dos nossos clientes. Por exemplo, no mercado de consumo as mulheres ainda são as principais decisoras nas compras da casa. Dentro da empresa, ter esse olhar feminino é importante para a gente poder reproduzir o que tem do lado de fora”, explica Camila.

O papel da empresa

Nesse processo, a organização tem um papel importante na definição de estratégias e formatação de uma cultura alinhada com uma equivalência de oportunidades entre homens e mulheres. Mas não basta fazer isso da boca para fora, apenas para aparecer bem na foto: “A empresa precisa identificar isso como um de seus valores. Essa iniciativa tem que acontecer apenas se a empresa acreditar que isso vai trazer benefícios para ela, e se for legítima essa intenção”, afirma Camila.

“E esse processo começa na contratação e segue ao longo da carreira dessas mulheres, buscando possibilitar que elas tenham as mesmas oportunidades que os homens, que elas possam progredir na carreira da mesma forma como os homens”, complementa Camila.

Empoderamento

Daniela Raizer Dias, supervisora de relacionamento com o cliente da 3M do Brasil e uma das participantes do Círculo Lean – uma das iniciativas do Fórum de Mulheres da 3M – acredita que encorajar as mulheres a acreditarem nelas próprias e a se arriscarem a tentar vagas em postos de liderança é outro aspecto fundamental.

“Para as empresas ampliarem a presença feminina na liderança, precisamos despertar o empoderamento das mulheres. Dar a elas consciência de que podem e devem assumir cargos de liderança. Algumas das críticas às mulheres partem delas mesmas. Acham que não vão conseguir, que não vão ter tempo, porque têm que cuidar dos filhos e da casa.”, afirma Daniela.

“Em alguns casos, antes mesmo de tentarem uma vaga de liderança ou uma promoção, algumas desistem com essas justificativas, ou seja, saem antes de entrarem. Vemos isso nitidamente nos processos seletivos onde, se para uma posição são requeridos 10 atributos e elas possuem 9, já não participam”, complementa Daniela.

Camila Cruz Durlacher, à frente do Fórum de Liderança Feminina, explica como funciona a estratégia na companhia. “São três pilares: individual, que trata do papel mulher no seu próprio sucesso; cultural, que diz respeito ao impacto da cultura da empresa no progresso das mulheres em sua carreira; oportunidades, que atua papel dos decisores e patrocinadores para que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens”, afirma.

Conscientizando os decisores

Para que os espaços diretivos sejam ocupados por mais mulheres, é crucial que os homens da organização também tenham consciência dessa importância. A equação é simples: se quase todos os cargos hoje são ocupados por figuras masculinas e são essas pessoas que decidem ou influenciam a sucessão, se não houver uma percepção favorável à inclusão feminina, os outros esforços podem não ter efeito.

Dupla jornada e culpabilização

A ascensão profissional da mulher geralmente esbarra também em outros dois problemas muito comuns: a dupla jornada e a culpabilização, sendo uma consequência da outra. Por acumularem responsabilidades em casa, acabam achando que não vão dar conta de grandes tarefas no trabalho. E, ao assumirem uma posição de liderança na empresa, se sentem culpadas por negligenciarem os filhos, por exemplo.

Para Camila, no entanto, mudanças culturais na própria sociedade têm contribuído para derrubar essas barreiras. “Temos hoje pais mais participativos nas tarefas do lar. Essa é uma tendência. O homem, o marido moderno, encara isso de uma maneira diferente da geração dos nossos pais e avós, que eram tão distantes da criação dos filhos”, afirma.

Transformar mercados e redefinir culturas não é uma tarefa fácil. Mas, com um passo de cada vez, é possível promover mudanças.

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