Empreendedorismo

Brasil abre 20 shoppings em 2016, um terço a menos que o previsto

Fonte - G1
01/02/17 11:00
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País encerrou o ano com 558 centros comerciais em operação em 205 cidades; empreendimentos tiveram vacância maior em 2016, segundo estudo da associação

O País abriu 20 shopping centers em 2016 e terminou o ano passado com um total de 558 centros comerciais em operação, 3,7% a mais que em 2015. Os dados são de levantamento da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) divulgado na última terça-feira (31).

O número de inaugurações foi abaixo do previsão da Abrasce, que esperava que 30 novos shoppings entrassem em operação no Brasil em 2016.  O resultado do ano passado, no entanto, superou o volume de aberturas de lojas em 2015 – 18 novos shoppings. Em 2014, foram 25 novos shoppings.

Os novos shoppings abriram as portas com um percentual maior de lojas vazias. A vacância média fechou 2016 em 4,6%, acima do índice de 2015, de 4,3%, e da vacância média registrada em 2014 e 2013, de 2,8%.

Para o presidente da Abrasce, Glauco Humai, é normal um shopping ser inaugurado com uma vacância maior, e depois o centro ser ocupado aos poucos. “Essa curva de ocupação acontece de forma natural. Claro que em anos de crise acontece de forma mais lenta”, afirma.

Investimento

O investimento em 2016 foi de R$ 8 bilhões na abertura dos novos shoppings, bem abaixo da estimativa divulgada pela associação no ano passado, de R$ 15 bilhões. Em 2015, foram investidos R$ 6,8 bilhões.

Segundo Humai, a estimativa não foi confirmada porque não se concretizou a previsão de abertura de 30 shoppings no ano passado. “Caiu muito porque no ano passado a gente previa mais abertura de shoppings e tem também questões de o investidor esperar mais tempo para investir por causa da crise”, explica.

O presidente da Abrasce explica que o empreendimento shopping center tem um planejamento muito longo. “Muitos são planejados com cinco anos de antecedência, às vezes leva-se 10 anos por causa da aquisição de terreno e obtenção de licenças municipais e estaduais”, diz. Segundo Humai, por causa disso, muitos shoppings são postergados e as inaugurações acabam adiadas.

Distribuição geográfica

No ano passado, 205 cidades tinham shopping center, contra 196 em 2015. Dos novos shoppings em 2016, apenas 7 foram abertos em capitais, e 53% do total do País está fora das capitais. Entre os fatores, segundo a Abrasce, são custos menores para aquisição de terrenos, concorrência menor e facilidade para implantar área de estacionamento.

Entre as inaugurações no ano passado, 8 foram no Sudeste, 5 no Nordeste, 4 no Centro-Oeste e 3 no Sul. No Norte nenhum centro de compras foi aberto.

O Sudeste concentra o maior número de centros de compras no País (300) e continua registrando o maior crescimento de vendas, seguido do Sul (93), Nordeste (85), Centro-Oeste (54) e Norte (26).

Por concentrar 54% do total de shoppings, o Sudeste foi a região que mais faturou em 2016: R$ 91,9 bilhões. A região que mais cresceu foi o Sul, tanto em vendas como em número de empreendimentos. Já as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste tiveram expansão forte na oferta de empregos.

Vendas

Já as vendas nos shoppings cresceram 4,3% em 2016, totalizando R$ 158 bilhões. Em 2015 foram R$ 151 bilhões e, em 2014, R$ 142 bilhões. “2017 será um ano difícil, mas conseguimos ter crescimento em 2016”, diz Glauco Humai.

Ele festejou o desempenho da indústria dos shoppings. “Enquanto o PIB do País caiu 3,5% e o comércio em geral recuou 6,5%, o setor evoluiu 4,3%”, disse.

Os dados da pesquisa da Abrasce mostram um resultado diferente do apresentado pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que reúne 150 empreendimentos com cerca de 7.500 lojas em todo o Brasil, no fim do ano passado. A Alshop estima que as vendas caíram 3,2% em 2016, reflexo da crise econômica.

Os dados são divergentes porque a metodologia das pesquisas é feita de forma diferente.

Número de lojas

Já o número de lojas cresceu 1,8% ante 2015, totalizando 99.990. O crescimento de salas de cinema foi de 4,9%, chegando a 2.707 no país.

Empregos

A oferta de empregos cresceu 2,7%, de 990.126 em 2015 para 1.016.428 postos de trabalho em 2016 – 26.302 novos postos de trabalho. A região Centro-Oeste foi a que teve mais aumento no número de empregos, com crescimento de 5,1% em relação a 2015. No total, os shopping centers brasileiros empregam diretamente 1.016.428 pessoas.

Previsão para 2017

A Abrasce prevê a abertura de 30 novos shoppings em 2017 – 31% no Sudeste, 23% no Nordeste, 15% no Norte, 8% no Centro-Oeste e 23% no Sul.

Segundo Humai, R$ 16 bilhões deverão ser investidos em novos shoppings este ano. A entidade prevê ainda R$ 166 bilhões em vendas – crescimento de 5%, e a abertura de 52 mil novos postos de trabalho.

Treze cidades devem receber o primeiro shopping em 2017: 1 no Centro-Oeste, 2 no Norte, 3 no Nordeste, 3 no Sul e 4 no Sudeste. Os centros de compras serão abertos em Três Lagoas (MS), Ananindeua (PA), Paragominas (PA), Camaragibe (PA), Olinda (PE), Timon (MA), Alvorada (RS), Guarapuava (PR), Porto Belo (SC), Itaquaquecetuba (SP), Mesquita (RJ), Votuporanga (SP) e Franco da Rocha (SP).

Do total de shoppings, apenas 20% estarão nas capitais, 77% em cidades de até 500 mil habitantes, 15% de até 100 mil habitantes e 8% de até 1 mil.

Nos últimos seis anos, 52 cidades abriram shopping center, segundo a Abrasce.

Outlets

De acordo com a Abrasce, cresceu o número dos outlets no setor de shoppings, totalizando 11 em 2016 – eram 9 em 2014 e 4 em 2012. A previsão é que cheguem a 16 em 2019. Segundo a associação, normalmente os outlets são abertos fora das capitais e ao longo das rodovias.

Renegociação de aluguéis

Questionado se com a crise os lojistas não estavam com dificuldades para pagar os aluguéis dos espaços e procurando renegociações, Humai disse que as negociações ocorrem sim, mas de forma pontual. “Dentro de um empreendimento você tem diversos segmentos e realidades e não pode tratar desiguais de forma igual. A nossa orientação é que negociem, conversem e mantenham seus lojistas dentro do shopping”, afirma.

“A gente acredita que a partir do 3º trimestre a situação do País comece a melhorar, mas as negociações entre os administradores do shopping e lojistas sempre existiram”, garante.

Em relação ao fluxo de visitantes, houve queda de 1,7% em comparação com 2015 – de 440 milhões em 2015 caiu para 438 milhões em 2016 ao mês, segundo Humai.

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