Gestão de risco deve ser prioridade para o agro

Em entrevista à Forbes Brasil, especialista Marcos Jank faz alerta para representantes do setor

Publicado por Comunicação em 22 de agosto de 2025

(Foto: Aleksandarlittlewolf - @Freepik)

As tensões geopolíticas e comerciais que marcam a economia mundial colocam o agronegócio brasileiro diante de um novo desafio: a gestão de riscos. Quem alerta é Marcos Jank, um dos maiores especialistas em comércio agrícola do país, coordenador do Insper Global Agribusiness Center, em entrevista recente à Forbes Brasil.

Segundo Jank, é preciso superar a ilusão de que o mundo depende do Brasil para se alimentar. “A verdade é que os países não querem depender de comida importada. Segurança alimentar é um assunto muito crítico, principalmente em países que têm mais de um bilhão de habitantes”, destacou.

Esse movimento é visível na China, maior parceira do agro brasileiro, que busca ampliar a autossuficiência em diversos grãos, mesmo mantendo alta dependência da soja importada. “Eles querem sempre diversificar fornecedores, por uma questão estratégica”, afirma Jank.

Um mundo sem regras fixas

O especialista lembra que as instituições internacionais criadas no pós-guerra, que garantiram estabilidade ao comércio global, vivem um processo de esvaziamento. A Organização Mundial do Comércio não conta mais com juízes em seu órgão de apelação, a ONU não consegue frear guerras, e até a OMS mostrou fragilidade na pandemia. O resultado é o que Jank chama de “nova desordem internacional”, onde a geopolítica muitas vezes pesa mais que a eficiência econômica.

Nesse contexto, o agronegócio brasileiro precisa se preparar para um mundo “fragmentado e multipolar”, marcado por disputas diretas entre EUA, China e outras potências.

Oportunidades e desafios para o Brasil

Apesar das incertezas, o especialista ressalta que o Brasil segue na dianteira em tecnologias ligadas à bioeconomia, biocombustíveis, integração lavoura-pecuária e bioinsumos. A força do agro brasileiro está justamente na adoção de práticas que conciliam produtividade e sustentabilidade.

O desafio, segundo ele, está em alinhar governo e setor privado em uma estratégia de longo prazo, para que o país não seja apenas espectador das mudanças globais, mas ator relevante capaz de proteger seus interesses.

 

Com informações da Forbes Brasil.