Alta nos juros: empresários tem dificuldades para empréstimos

Publicado por Acieg em 30 de março de 2022

Em dezembro de 2021, com a Selic a 9,25%, a média havia subido para 31,1% ao ano, 4,6 pontos percentuais acima.

 

Com o aumento da taxa básica de juros para segurar a inflação por parte do Banco Central (BC), a economia brasileira deve passar por desafios: a dificuldade do empresariado de quitar parcelas de empréstimos, principalmente os pequenos negócios.

Um levantamento feito pelo Sebrae, com base em dados do Banco Central, mostra que, em março de 2021, quando a Selic era de 2% ao ano, a taxa média de juros das operações de crédito para os pequenos negócios estava em torno de 26,5% ao ano — com 32,1% a.a. para microempreendedores individuais, 32,6% a.a. para microempresas e 24,9%a.a. para empresas de pequeno porte.

Em dezembro de 2021, com a Selic a 9,25%, a média havia subido para 31,1% ao ano, 4,6 pontos percentuais acima. Mas o que isso tem significado em termos para os empresários? É importante observar que a elevação da Selic traz impactos à classe empresarial.

Cuidados com os juros

Segundo explica Gustavo Sardinha, diretor da Acieg, a elevação dos juros, em especial, pelo aumento da Selic, tende a tornar os recursos para operações de crédito para essas empresas mais escassos e restritos.

“Adicionalmente, por serem mais arriscadas, para essas empresas, as taxas de juros são bem maiores que a Selic, aumentando ainda mais os riscos de inadimplência pela própria alta dos juros, e se forma o ciclo vicioso dos juros altos-inadimplência-crédito restrito”, afirma Gustavo.

Para o diretor da Acieg, o maior cuidado, a meu ver, é com a armadilha dos juros altos. “Alguns juros como o do cartão de crédito, do cheque especial e conta garantido, são os primeiros que socorrem os pequenos empresários. Mas também são os mais onerosos e altos. Cair na tentação de usar o cheque especial como capital de giro, pode ser desastroso”, enfatiza.

Falências

Outro dado importante, é de que nos últimos dois anos, mais de 375 mil salões foram à falência, segundo a ABSB, sendo que 47% dos profissionais em atividade declaram ter muita dificuldade para manter o empreendimento em pé.

Por outro lado, aquele que fizeram empréstimos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), criado durante a pandemia, viram as parcelas crescerem por conta da Selic.

No início, a linha oferecia juros de 1,25% ao ano, mais taxa Selic. Depois, 6% mais Selic, sendo que a taxa básica de juros saltou de 2%, da mínima histórica, para 11,75% em um ano.

Indústria afetada

Segundo a Abrasel, entidade que representa o setor, dos 69% dos empresários que buscaram crédito durante a pandemia, 73% optaram pelo Pronampe e 19% deles estão com parcelas em atraso.

 

 

Por: Rhaissa Silva